miércoles, 14 de octubre de 2015

MERCADO LIVREIRO EM SÃO LUÍS, MARANHÃO, BRASIL: uma análise do cenário contemporâneo


Jadna Carla Cabral Sousa Dutra[1]
Marcos Santos Silva[2]
Maria Mary Ferreira[3]
RESUMO

Estuda o mercado livreiro em São Luís Maranhão, Brasil, analisando o perfil dos livreiros, estrutura das livrarias, gêneros mais vendidos, assim como as dificuldades enfrentadas por esse mercado na capital ludovicense. Emprega a metodologia da pesquisa qualitativa, identificando as variáveis das problemáticas do mercado livreiro e relacionando-as para elucidar a causa dos acontecimentos, além da utilização de um roteiro fechado de entrevista que possibilitou a coleta de dados, aplicados com os sujeitos da pesquisa e a pesquisa in loco com o intuito de confrontar as respostas obtidas pelos livreiros com a visão do pesquisador. Apresenta como campo de estudo cinco livrarias de São Luís, Maranhão, Brasil, escolhidas aleatoriamente, sendo elas: Livraria Leitura localizada no Shopping São Luís, O Mundo de Sofia situada no bairro do Monte Castelo, Livraria Cortez, Livraria Paulus e a Livraria do Estudante que estão localizadas no Centro da cidade. Ressalta que a pesquisa aqui abordada é de grande relevância para o campo da Historia do Livro, da Tipografia, do Mercado Livreiro no Brasil, do fomento a leitura e a disseminação da informação através do suporte “livro”, proporcionando um melhor aproveitamento de sua função informacional pelos leitores e transformando- os em sujeitos críticos, capazes de mudar a realidade em que vivem. Mostra a real situação do mercado em nosso Estado e fornece subsídios para as livrarias/editoras entrevistadas, que poderão utilizar dos resultados aqui evidenciados para desenvolver melhor e conhecer o cenário do mercado livreiro na capital, quais são os maiores problemas enfrentados de modo geral pelas mesmas, quais as vantagens, entre outros aspectos, visando potencializar suas atividades. Elucida a necessidade do mercado livreiro no que diz respeito à tomada de outras iniciativas para que os mesmos fiquem atentos à dinâmica do mercado no Estado para obterem lucratividade e credibilidade.

Palavras-Chave: Mercado livreiro. História do livro. Livrarias. Brasil.

RESUMEN

Estudios de mercado librería en Sao Luis, Brasil, el análisis de los Libreros PERFIL, Estructura de Bibliotecas, los géneros más vendidos así como las dificultades enfrentaron como en ese mercado en la capital ludovicense. Emplea una metodología de investigación cualitativa identificar cómo los problemas de mercado Librería de variables y relacionarlos párrafo dilucidar la causa de eventos Además de usar entrevista hum mapa Closed que sea posible una colección de datos, con los temas de investigación aplicada ea Buscar en el sitio con el fin de enfrentar como respuestas obtenidas para los libreros con una visión investigador. Características Cómo estudio de campo de cinco St. Louis Librerías, Maranhão, Brasil, seleccionada al azar, Y ELLOS: lectura de la biblioteca ubicada en el Shopping San Luis, El mundo de Sofía Situado en el barrio de Monte Castelo, Cortez Biblioteca, Librería Paulus ea Estudiante Que Bookstore estación ubicada en el Centro de la Ciudad. Aspectos más destacados de investigación Que aquí abordado y de gran relevancia para el campo de la historia del libro, la tipografía, el Mercado Librería en Brasil, para hacer un ea promoción de la lectura a través de la difusión de información de soporte "libro", proporcionando la función informativa TU Aprovechar Mejor hum por los lectores y convertirlos EN críticos Asunto, capaz de cambiar una realidad que viven. Muestra una verdadera situación del mercado en nuestro estado y proporciona información para que Librerías / editores entrevistados, que pueden utilizar los resultados Aquí se evidencia el párrafo a desarrollar mejor y saber Mercado librería Escenario en la capital ¿Cuáles son los mayores problemas que enfrenta generales En el mismo modo, ¿Qué ventajas como, entre otros aspectos, con el objetivo de impulsar sus actividades. Aclara la necesidad de la librería mercado sin tener en cuenta a la salida de otras iniciativas para que esté alerta a la dinámica del mercado sin estado de Pará alcanzar la rentabilidad y la credibilidad.

Palabras clave: Mercado Librería. Historia del libro. Librerías. Brasil.
1 INTRODUÇÃO
Segundo Lindoso (2004) o Brasil apresenta a maior produção editorial de toda a América Latina, sendo responsável por 50% dos livros editados no continente latino americano. Com uma produção tão vasta é necessária uma política efetiva de investimento em educação para que sejam estimulados o consumo dessas obras e a ampliação da produção das mesmas.
Em São Luís as livrarias atuam na venda de livros e oferecem uma diversidade de produtos como filmes, artigos de papelaria, informática, produtos eletroeletrônicos, telefonia, brinquedos, games, conteúdo digital e viagens, entre outros. Com isso, suas vendas nos últimos anos cresceram significativamente. As livrarias são importantes para a difusão, circulação e comercialização de livros e por essa razão buscam sempre otimizar seus processos visando entreter seus clientes mesclando seus produtos sem perder o enfoque no livro.
Diante do exposto, essa pesquisa tem como objetivo geral estudar o mercado livreiro em São Luís analisando o perfil dos livreiros, estrutura das livrarias, gêneros mais vendidos, assim como as dificuldades enfrentadas por esse mercado na capital ludovicense.
Apresenta ainda, como campo de estudo cinco livrarias de São Luís escolhidas aleatoriamente, sendo elas: Livraria Leitura localizada no Shopping São Luís, O Mundo de Sofia situada no bairro do Monte Castelo, Livraria Cortez, Livraria Paulus, e a Livraria do Estudante que estão localizadas no Centro da cidade,
A análise e avaliação do mercado livreiro têm como fundamentação teórica os estudos de Lallewell (2005), Braga (2011), Carvalho (2009), Lindoso, que discorrem sobre temas como: livro e leitura no Brasil, mercado livreiro no Brasil e no Maranhão. Além desses autores foram consultados documentos referentes à Metodologia da Pesquisa, e as Normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) a fim de adequar a monografia de acordo a normas adotadas na Universidade Federal do Maranhão. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, dada a identificação de variáveis da problemática exposta e relacionando-as para elucidar as causas dos acontecimentos, buscando encontrar respostas para o problema investigado. Na pesquisa foi utilizado como instrumento de coleta um roteiro de questões fechada aplicados com os sujeitos da pesquisa que possibilitou a coleta e analise mais detalhadamente da situação dos livreiros e livrarias de São Luís.
Com este estudo pretende-se contribuir para os estudos voltados para o referido tema em nosso estado, bem como para as livrarias/editoras entrevistas, que poderá utilizar dos resultados aqui evidenciados para desenvolver melhor conhecer o cenário do mercado livreiro na capital, quais são os maiores problemas enfrentados de modo geral pelas mesmas, quais as vantagens, entre outros aspectos, visando potencializar suas atividades.

2 MERCADO LIVREIRO NO BRASIL: alguns apontamentos.
Os primeiros livreiros no Brasil tiveram grande ajuda dos europeus à medida que conseguiram propagar uma cultura de livros. O surgimento das primeiras livrarias no Brasil foi uma experiência que deu muito certo, pois foi criado um mercado no país que não existia. E para crescer não precisava só de experiências com o comércio, precisava de algo mais para agradar o leitor.
O primeiro local que comercializou livros no Brasil foi o Collegio dos Jesuítas, localizado no Morro do Castelo no Rio de Janeiro entre os séculos XVII e XVIII. (GARCIA, 2010). Esse também possuía uma prensa de impressão, no qual foram produzidas obras de grande valor histórico e cultural.  Nesse comércio, era possível encontrar apenas livros de caráter religiosos, por influencia dos jesuítas, que inseriram o livro na cultura dos então nativos, sendo propagados aos demais povos que aqui se instalaram no período colonial.
Em São Paulo as tipografias também se desenvolveram e tornou esse estado um grande centro de livrarias que temos atualmente. As primeiras livrarias paulistas foram inseridas em seu cenário urbano. Podemos destacar nesse período a Livraria e Tipografia Correio Paulistano (1854); a Livraria Garraux (1860); a Teixeira e Irmão (1876), dos irmãos imigrantes portugueses Antônio Maria e José Joaquim; a Gazeau (1893), que intercalou a função de livraria e sebo, entre outras. (GARCIA, 2010).
Das livrarias destacadas acima, a Livraria Garraux, antes denominada Casa Garraux, foi a de maior expressão pela qualidade técnica e estética das obras que comercializava. A livraria investia fortemente na divulgação de seus produtos e dos métodos de venda tornaram-na referencia na época.
Até a década de 1890, quando surgiram os primeiros concorrentes de peso no mercado livreiro local, a Casa Garraux foi o mais importante estabelecimento de livros que a população conhecera. [...] editores e livreiros franceses exerceram hegemonia durante todo o oitocentismo nos países latino-americanos, com notável destaque para a Argentina e o Brasil. Prova-o a composição dos livros em um só catálogo distribuído pela Casa Garraux, de 1866: a parte “portuguesa”, composta por obras de Direito, Religião, Instrução, Artes e Ofícios, Poesias e Obras literárias, perfaz 1187 títulos. A francesa, 5.489. (DEAECTO, 2005, p. 15).
A casa Garraux que virou uma livraria vendia alguns itens de papelaria, vinhos, licores, caixas de biscoito importados e era fornecedora oficial de artigos para o Governo de São Paulo. Garraux foi o introdutor do envelope de correspondência na cidade de São Paulo.  Retornou para Paris em meados de 1890 onde faleceu em 26 de novembro de 1904. A livraria passou por diversos donos e fechou as portas por ocasião da Revolução de 1930.
Nesse primeiro momento de instalação das livrarias no Brasil é notória a influencia de imigrantes que trouxeram suas técnicas e iniciaram o processo tipográfico em nosso país, bem como as transformações que as mesmas sofreram no intuito de permanecerem no mercado.

3 MERCADO LIVREIRO EM SÃO LUÍS
O período de grande desenvolvimento editorial ocorreu nos anos de 1810, impulsionado pela exportação da produção agrícola que injetou recursos na fabricação de livros na capital, para investir em técnicas que trouxeram qualidade e beleza para as obras, além de uma estética impecável que despertou o interesse de outras províncias. (HALLEWEL, 2005, p. 167).
Com a produção editorial a todo vapor, São Luís passou a receber escritores ilustres de grande reconhecimento nacional e internacional, proporcionando a valorização dos produtos intelectuais aqui produzidos e culminando na expansão da língua e da literatura, estabelecendo aspectos semelhantes aos encontrados na corte portuguesa, tanto em nível cultural, quanto em relação às questões urbanísticas, sendo, por essa razão, simbolicamente intitulada de “Atenas Brasileira”. (HALLEWEL, 2005, p. 167).
A trajetória da editoração na capital do Maranhão, embora tardia, está diretamente enraizada na chegada da Família Real Portuguesa, que transformou a colônia em uma verdadeira cidade equivalente às da Europa. Tais influências retardaram a dinamização da imprensa que ficou em segundo plano diante da inflexível administração vigente que pouco contribuiu para promover a editoração no Estado.
Segundo Serra (2001, p.21 apud CARVALHO, 2009, p. 45) “[...] a primeira tipografia que funcionou no Maranhão em 1821, foi mantida pelo Erário Real – e até 1930 foi a única no Estado. [...]”. Logo após sua chegada começaram as atividades de produção das obras, fazendo com que esse processo fosse, efetivamente, divulgado por todo o território maranhense. “[...] São Luís foi não só o mais importante centro editorial das províncias, e o único de importância nacional, como também o lugar em que a qualidade do trabalho dos melhores impressores ultrapassava toda e qualquer realização da corte nessa época. [...]”. (HALLEWELL, 2005, p. 170).
Após esse acontecimento, a impressão tornou-se legítima, e as primeiras atividades referentes à tradução de escritos foram sendo desenvolvidos, tendo como primeiro livro a ser publicado a “Descripção das festas chamadas de barração”, o primeiro livro produzido pela oficina tipográfica que passou a ser chamada de Thypographia Nacional Imperial. Todos esses feitos só foram possível graças ao presidente Bernardo da Silva Pinto, que investiu em um prelo com a finalidade de elaborar o jornal do governo, O Conciliador do Maranhão. (HALLEWELL, 2005, p. 170).

3.1 Mercado livreiro em São Luís no atual contexto
O mercado livreiro no Maranhão apresenta um número considerável de editoras/livrarias que atendem a população em geral. O estado conta com a Associação dos Livreiros do Estado do Maranhão (ALEM), uma associação sem fins lucrativos que reuni e cadastra livrarias localizadas em São Luís e realiza projetos de Feiras de Livro na capital, estimulando a população a ler e conhecer o universo editorial.
Em São Luís, de acordo com os dados obtidos do levantamento de 2011 realizado pela Biblioteca Nacional contabilizavam 29 editoras cadastradas, fornecendo em sua maioria livros e artigos de papelaria. No entanto, cadastradas na ALEM totalizam 25 livrarias.
A maioria das livrarias de São Luís concentra-se entre os bairros do Monte Castelo e o Centro da capital. Os estabelecimentos em geral oferecem artigos além de livros caracterizando o cenário das editoras ludovicense como sendo bastante diversificadas. A capital conta também com livrarias especializadas em uma área do conhecimento como é o caso das livrarias cristãs, por exemplo.
Tem-se nesse contexto livrarias que apóiam novos autores cedendo os seus espaços para lançamentos de livros locais e nacionais como é o caso da livraria Leitura que conta com um ambiente físico e geográfico privilegiado, além de proporcionar o fomento à leitura, a partir do momento que incentiva novos autores a divulgarem suas obras, aproxima a população do universo da leitura e os estimulam a comprarem mais livros.

3.1.1 Perfil dos livreiros em São Luís
Para melhor compreensão dos dados que serão informados adotou-se a expressão “Livreiro” para caracterizar sobre quais livrarias as informações se referem. Assim, as identificações das livrarias/editoras serão sinalizadas da seguinte forma:
Livreiro 1: refere-se a Livraria Leitura Brasil.
Livreiro 2: refere-se a Livraria Vozes.
Livreiro 3: refere-se a Livraria Paulus.
Livreiro 4: refere-se a Livraria Estudantil.
Livreiro 5: refere-se a Livraria Mundo de Sofia
A pesquisa revelou que dos sujeitos entrevistados 80% são homens e 20% são mulheres como demonstra o Gráfico 1.
Gráfico 1 – Gênero dos entrevistados.
             
                Fonte: Entrevista da pesquisa de Mercado Editorial em São Luís.
Embora o instrumento tenha destacado que a maior parte dos entrevistados é do sexo masculino, a observação in loco demonstrou que o mercado de trabalho em editoras/livrarias é bastante heterogêneo, ou seja, homens e mulheres se interessam em trabalhar nesse negócio. 
No que se refere à faixa etária dos livreiros, 40% estão entre os 26 a 35 anos, 20% então na faixa que vai dos 36 aos 45 anos, 20% tem idade de 46 a 55 anos de idade e 20% estão entre 56 a 65 anos.
No quesito religião 100% dos entrevistados informaram serem católicos o que ratifica a pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE (2010), onde o percentual de católicos no Brasil corresponde a 64,6% da população brasileira, e no nordeste esse número aumenta para 79,9%, ou seja, o Brasil ainda é a maior nação católica do planeta. Em relação à raça/etnia dos livreiros 40% se reconhecem como brancos, 40% como pretos e 20% como pardo.

3.1.2 A situação das livrarias de São Luís e o mercado livreiro.
Ao serem indagados se a livrarias nas quais trabalham apresentam filiais apenas os Livreiros 4 e 5 responderam que há apenas uma loja da mesma empresa sendo que as demais informaram que apresentam filiais não só em São Luís, mas em outros estados e até no exterior.
Livreiro 1: “A central é o da Ilha [Shopping da Ilha] e essa é uma filial [Leitura Brasil no Shopping São Luís] e tem as duas do aeroporto [Marechal da Cunha] também e tem pelo Brasil inteiro.”
Livreiro 2: “Em  São Luís uma e no Brasil mais de vinte e oito lojas, tem até em Portugal.”
Livreiro 3: “Tem sim, só que em São Luís é só essa aqui mas no Brasil todo são vinte e quatro livrarias  espalhadas”.
Podemos inferir que a maioria das livrarias/editoras de São Luís faz parte de empreendimentos de grande porte como é o caso da livraria representada pelo livreiro 1, que possui filiais em mais de 25 cidades, sendo que em cada umas delas apresenta duas ou mais lojas do empreendimento ( em São Luís são três).
Já a livraria correspondente ao livreiro 2 apresenta, além das filiais em todas as regiões do país ainda dispõe de lojas em outro continente, tornando-a mais abrangente no mercado não só nacional, mas mundial.
No que se refere à livraria representada pelo livreiro 3, além das diversas filiais esta se encontra integrada a uma Fundação intitulada Família Paulinas, que tem dois segmentos editoriais, o primeiro que corresponde ao estudado dessa pesquisa (Paulus) - que abrange produtos voltados para as várias áreas do conhecimento -e outra editora/livraria voltada,especificamente,para artigos religiosos (Paulinas). Além dos materiais impressos a Editora Paulinas oferece produtos digitais, CD’s, DVD’s, etc.
Com relação à ideia dos mesmos sobre como é o mercado livreiro em São Luís os entrevistados manifestaram as seguintes opiniões:
Livreiro 1: “Hoje em dia está bem defasado até porque todas as livrarias que tinham antes aqui foram se degradando acabando e hoje em dia a única que prevalece é a Mundo de Sofria tem a Performance e a Leitura, que eu sei.”
Livreiro 2: “[...]São Luís é um mercado que oscila muito, até pouco tempo tinha a livraria Nobel em diversos shoppings, mas a Nobel fechou e chegou a Leitura pra pegar e ocupar o espaço dela.[...].”
Livreiro 3: “Fraco, muito fraco, a última Feira do Livro que teve foi em um local péssimo, de péssimo acesso, assim dificultava o acesso de muitas pessoas e a comercialização dos livros neste evento que é muito importante para nos livreiros aqui em São Luís, acho que deveria ter mais incentivo a leitura aqui em São Luís, com esse incentivo poderia se ter uma melhora no mercado livreiro.”
Livreiro 4: “Esta muito a desejar, as pessoas não gostam de ler e escrever, o problema das pessoas não é a falta de tempo, e sim a falta de interesse pela leitura isso torna mais baixa a visita das pessoas as livrarias para comprarem livros, se os governantes investissem mais em projetos para leitura esse mercado de venda de livros poderia ser mais lucrativo.”
Livreiro 5: “Há pouco incentivo nas escolas aqui em São Luís, as escolas deveriam fazer programas de incentivo a leitura para que seus alunos visitassem mais as livrarias, assim melhorando o mercado na venda de livros, o governo poderia dar um pouco mais de apoio nesses programas.”
As respostas revelam que o mercado editorial em São Luís passa por um momento de crise impulsionada por diversos motivos que impedem a permanência das livrarias no mercado, o aumento de leitores e consequentemente, o aumento das vendas nas livrarias, entre outros pontos que torna o desempenho dos negócios editoriais em São Luís incerto.

3.1.3 Gêneros mais comercializados pelos livreiros
Em relação ao gênero mais vendido nas livrarias de São Luís, Livreiro 1 informou que os livros de literatura são os que mais saem, enquanto o Livreiro 2 sinalizou as áreas da Educação, Psicologia e Filosofia como as mais vendidas. Já o Livreiro 3, por ser uma livraria especializada cristã, tem como maior demanda a Bíblia, enquanto o Livreiro 4 respondeu que os que são mais comercializados são os livros didáticos e os paradidáticos. Por fim o Livreiro 5 informou que os livros infanto-juvenis são os mais vendidos em sua livraria.
       Ao questionar sobre as maiores dificuldades encontradas no ramo do mercado livreiro os entrevistados enfatizaram que o custo do frete para entregar os livros nas livrarias e a falta de incentivo do Estado e do município são as principais dificuldades encontradas seguidas do alto preço dos livros, a falta de leitores entre outros. 
       Ao questionar sobre as maiores dificuldades encontradas no ramo do mercado livreiro os entrevistados enfatizaram que o custo do frete para entregar os livros nas livrarias e a falta de incentivo do Estado e do município são as principais dificuldades encontradas seguidas do alto preço dos livros, a falta de leitores entre outros como demonstra o gráfico 2.

Gráfico 2– Demonstrativo das compras realizadas pela Prefeitura e/ou Governo do Estado
em São Luís.
Fonte: Entrevista da pesquisa de Mercado Editorial em São Luís.
Por fim os livreiros foram indagados sobre a interferência do governo na venda de livros os mesmos responderam que o governo não altera de forma expressiva o mercado livreiro na capital.
Os livreiros, em sua maioria não atribuíram qualquer melhoria em suas vendas à mudança de governo que tivemos recentemente no Estado, ou seja, a saída da oligarquia que governou o Maranhão por mais de quarenta anos não interferiu nos lucros das livrarias, o que demonstra que o posicionamento dos órgãos do governo é o mesmo independente de características partidárias, embora é claro, tenha que ser considerado o fato de que o governo está em inicio da mandato.
CONCLUSÃO
Dentre os objetivos da análise destacam-se como resultados que o mercado livreiro em São Luís é bastante diversificado, apresentando empreendimentos de pequeno, médio e grande porte. Por essa razão, os mesmos precisam estar atentos à dinâmica do mercado no estado para se manterem no ramo e obter lucratividade e credibilidade. Identificou-se também pelos relatos dos livreiros que o mercado editorial na capital passa por um momento de crise, onde muitas livrarias descrevem o comércio como “fraco”, “defasado” e “oscilantes”, deixando a desejar tanto no que se refere a compra de livros pela população de modo geral, quanto pela falta de incentivo do poder público em investir mais nesse ramo e criar subsídios para que este se fortaleça na capital.
Constatou-se ainda que os compradores de livros em São Luís apresentam gostos por obras de gêneros variados, no qual as bibliotecas se esforçam para atender a demanda de todos os clientes, oferecendo livros de todas as áreas do conhecimento. Nesse sentido, a tendência dos gêneros mais procurados corresponde a uma logística nacional, que se refere aos livros infatojuvenis e literatura estrangeira, caracterizando o padrão de leitura de maior expressão em nossa capital.
Em se tratando das dificuldades enfrentadas pelos livreiros podemos destacar quanto ao perfil dos compradores de livros em São Luís, o que a pesquisa revelou ser bastante diversificados, pois há uma representatividade do publico em geral que frequentam e compram livros. No entanto, nenhum dos livreiros atribuiu o poder público como sendo um dos maiores compradores de livros, aspecto esse que foi sinalizado por 80% dos livreiros como uma das principais causas das dificuldades enfrentadas pelos mesmos na capital: a falta de interesse do Estado em investir no mercado editorial.

REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE LIVRARIAS (ANL). Levantamento Anual do Segmento de Livrarias. Disponível em:< http://anl.org.br/web/pdf/levantamento_anual_2012.pdf>. Acesso em: 15 jan. 2012.

ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE LIVRARIAS DO MARANHÃO. Crescimento do Setor Livreiro em 2011 não acompanha a inflação do mesmo período, ficando 1,24% abaixo. Disponível em: < http://gindre.com.br/wp-content/uploads/2012/05/levantamento_anual_20121.pdf>. 22 maio 2015.

CARVALHO, Roberto Sousa. Panorama editorial em São Luís: 2003-2008. 2009, 159 f. Monografia (Graduação em Biblioteconomia) - Centro de Ciências Sociais, Universidade Federal do Maranhão, São Luís.

DEAECTO, Marisa Midori. Anatole Louis Garraux e o comércio da livraria francesa em São Paulo (1860-1890). In: Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, 28., 2005, Rio de Janeiro, Anais... Rio de Janeiro, 2005. p. 1-16.Disponível em:<http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2005/resumos/R0168-1.pdf>. Acesso em: 22 set. 2014.

GARCIA, Glaucia.  Uma breve história das livrarias paulistanas. 2010. Disponível em:<
http://www.saopauloantiga.com.br/uma-breve-historia-das-livrarias-paulistanas/>. Acesso em: 22 set. 2014.

HALLEWELL, Laurence. O livro no Brasil: sua historia. Tradução de Maria da Penha Villalobos, Lólio Lourenço de Oliveira, Geraldo Gerson de Souza. 2. ed. São Paulo: editora da Universidade de São Paulo, 2005.

IBGE. Censo demográfico2010. Disponível em:<http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/imprensa/ppts/00000009352506122012255229285110.pdf>. Acesso em: 27 dez. 2014.

LINDOSO, Felipe. O Brasil pode ser um país de leitores?: política para a cultura/ política para o livro. São Paulo: Summus, 2004.



[1] Bibliotecária do Instituto Florence de Ensino Superior, São Luís, Maranhão, Brasil.
[2] Graduando em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
[3] Professora Adjunta do Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

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